Como a China ganhou vantagem na corrida global por baterias que duram dias


Como a China ganhou vantagem na corrida global por baterias que duram dias
- Crescimento de fontes renováveis aumenta necessidade de armazenamento de energia de longa duração
- Analistas atribuem liderança chinesa ao apoio de políticas públicas
Coco Liu
Bloomberg
A China está silenciosamente dominando mais uma área da transição energética global: o armazenamento de energia de longa duração.
Diferentemente das baterias convencionais de íon-lítio, que normalmente armazenam energia por quatro horas ou menos, o armazenamento de energia de longa duração, ou LDES (na sigla em inglês), pode reter e liberar eletricidade por muito mais horas ou até dias.
À medida que as fontes renováveis intermitentes se tornam uma parte maior do fornecimento global de energia, o LDES é extremamente necessário para ajudar a equilibrar a oferta e a demanda de energia, e a China está disparando na frente do resto do mundo.
O mundo adicionou um recorde de 9,6 gigawatts-hora de nova capacidade de LDES no ano passado, um aumento de aproximadamente 30% em relação aos níveis de 2024, de acordo com o relatório publicado nesta segunda-feira (2) pela BloombergNEF.
Quase todos os projetos construídos em 2025 foram na China, segundo o relatório. Isso apesar de as economias ocidentais abrigarem diversas startups bem financiadas, incluindo a americana Form Energy e a canadense Hydrostor.
Analistas da BNEF atribuem a liderança da China no setor em grande parte ao apoio de políticas públicas. Pequim identificou o LDES como um componente crucial de seu roteiro para emissões líquidas zero em 2023.
No ano seguinte, o regulador de energia da China lançou 56 projetos-piloto, que ajudaram a impulsionar o atual boom. O país também construiu uma vantagem massiva em outros setores de tecnologia climática, de painéis solares a hidrogênio.
Há 422 gigawatts-hora em projetos de LDES no pipeline global, dos quais 95% estão planejados para a China. Apenas 2% de todos os projetos planejados estão nos Estados Unidos, colocando o país em um distante segundo lugar.
Mas há sinais de que os EUA estão tentando equilibrar o jogo: a Form fechou um acordo para construir uma instalação de 300 megawatts que ajudará a alimentar um data center operado pelo Google, da Alphabet.
O LDES representa uma parcela relativamente pequena do mercado geral de armazenamento de energia, que registrou aproximadamente 247 gigawatts-hora de nova capacidade instalada no ano passado, segundo a BNEF. A maior parte foi de baterias de íon-lítio.
Mas “sistemas de longa duração permitem que as redes elétricas desloquem grandes volumes de energia renovável ao longo de períodos mais extensos”, disse Meredith Annex, chefe de pesquisa em energia limpa da BNEF. “É por isso que a implantação está acelerando rapidamente.”
sua assinatura pode valer ainda mais
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha?
Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui).
Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia.
A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
sua assinatura vale muito
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/como-a-china-g…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 04/03/2026 às 23:46
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.