Endocrinologista aponta quando o uso de canetas emagrecedoras pode fazer mal à saúde
Endocrinologista aponta quando o uso de canetas emagrecedoras pode fazer mal à saúde
📰 Fonte: Saúde – saude.abril.com.br
Endocrinologista aponta quando o uso de canetas emagrecedoras pode fazer mal à saúde
Popularizadas nas redes, os medicamentos de fato ajudam, mas pedem critério: entenda os riscos, indicações e quando evitar o uso
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida representam um dos maiores avanços no tratamento da obesidade nas últimas décadas. No entanto, seu uso indiscriminado pode trazer riscos e frustrações quando não há indicação clínica adequada nem acompanhamento médico criterioso.
As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam popularidade, impulsionadas por resultados expressivos na perda de peso e pela ampla divulgação nas redes sociais. Originalmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses fármacos passaram a ser indicados também para obesidade, doença crônica reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e associada ao aumento do risco cardiovascular, inflamação sistêmica e redução da expectativa de vida.
No Brasil, dados recentes mostram que mais da metade da população adulta apresenta excesso de peso, e cerca de um quarto já vive com obesidade. Isso reforça que estamos diante de um problema de saúde pública, e não apenas de uma questão estética.
Estudos robustos demonstram que essas medicações promovem perda significativa de peso, melhora do controle glicêmico e redução de eventos cardiovasculares em grupos selecionados. Mas isso não significa que sejam apropriadas para qualquer pessoa.
Esses medicamentos são indicados para indivíduos com índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m2 ou para aqueles com sobrepeso associado a comorbidades, como diabetes, hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.
Utilizá-los apenas para perder dois ou três quilos por motivo estético não é recomendação médica. Toda medicação possui potenciais efeitos adversos, e o risco-benefício deve sempre ser avaliado.
Náuseas, vômitos, diarreia e desconforto gastrointestinal são comuns nas primeiras semanas. Em alguns casos, pode haver desidratação, perda excessiva de massa magra, piora da fragilidade em idosos e necessidade de ajustes terapêuticos.
Na prática clínica, observo que parte dos pacientes que procuram essas medicações não apresenta indicação formal, mas sim pressão estética ou comparação social – o que aumenta o risco de frustração e uso inadequado.
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Existem condições em que o uso é contraindicado ou requer avaliação rigorosa. Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer medular de tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 não devem utilizar essas medicações.
Pacientes com pancreatite prévia exigem prudência, assim como indivíduos com doença biliar, dado o maior risco de formação de cálculos associado à rápida perda de peso.
Gestantes, mulheres que planejam engravidar e pessoas com transtornos alimentares ativos também não são candidatas adequadas. Em casos de depressão grave ou compulsão alimentar não tratada, a abordagem deve ser multidisciplinar.
Outro ponto pouco discutido é a qualidade da perda de peso. Quando não há orientação nutricional e estímulo à atividade física, parte significativa da redução pode ocorrer à custa de massa muscular, fator essencial para o metabolismo, a autonomia e o envelhecimento saudável.
Além disso, a interrupção abrupta do tratamento, sem estratégia de manutenção, pode levar ao chamado efeito rebote, com recuperação parcial ou total do peso perdido.
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As canetas emagrecedoras são ferramentas valiosas no tratamento da obesidade, mas não substituem mudanças estruturais de estilo de vida. Alimentação equilibrada, exercício físico, sono adequado e manejo do estresse continuam sendo pilares fundamentais.
O tratamento da obesidade deve ser encarado como estratégia de saúde a longo prazo, com foco não apenas na estética, mas na redução do risco cardiometabólico e no aumento da expectativa de vida com qualidade.
Medicamento não é atalho cosmético. É intervenção terapêutica que exige critério, responsabilidade e acompanhamento médico. O verdadeiro objetivo não deve ser apenas emagrecer, mas tratar a saúde metabólica de forma segura, sustentável e baseada em ciência.
* Filippo Pedrinola é endocrinologista e head nacional de Endocrinologia da Brazil Health
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)
📌 Fonte original: https://saude.abril.com.br/medicina/endocrinologista-aponta-…
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