EUA descartam recorrer a reserva estratégica de petróleo diante de risco de alta com guerra no Irã


EUA descartam recorrer a reserva estratégica de petróleo diante de risco de alta com guerra no Irã
- Washington avalia que eventual disparada nos preços será limitada mesmo após ataque
- Mercado teme impacto sobre oferta no Oriente Médio
Nova York | Financial Times
Os Estados Unidos não estão considerando liberar petróleo de sua reserva estratégica, sinalizando que Washington acredita que qualquer alta nos preços após o ataque ao Irã será limitada.
Um funcionário do Departamento de Energia dos EUA disse ao Financial Times que não houve nenhuma discussão sobre a SPR (sigla em inglês para Reserva Estratégica de Petróleo) ao ser questionado sobre as medidas preparadas pelo governo de Donald Trump para evitar uma disparada no preço do petróleo que possa prejudicar a economia e pressionar a inflação.
A expectativa é de que os preços do petróleo subam nesta domingo (1º), quando os mercados reabrirem às 18h em Nova York (20h no horário de Brasília), à medida que operadores reagem ao temor de que a guerra interrompa o fornecimento no Oriente Médio. O Brent, referência internacional, fechou na sexta-feira (27) cotado a US$ 72,8 o barril.
A reserva estratégica americana armazena cerca de 415 milhões de barris, parte dos quais poderia ser utilizada para acalmar os mercados, como ocorreu em 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou os preços.
Embora a reserva seja uma ferramenta valiosa para conter turbulências em momentos de crise, ela não conseguiria evitar um choque de preços caso o Irã feche o estreito de Hormuz —passagem estreita por onde circula cerca de 20% da oferta global de petróleo.
A mídia iraniana informou neste sábado que o estreito havia sido “efetivamente” fechado após a Guarda Revolucionária alertar algumas embarcações de que a travessia não era segura.
Apesar de navios continuarem a atravessar o estreito desde o início dos ataques pela manhã, dados de transponders da MarineTraffic indicam que o fluxo de grandes embarcações comerciais está diminuindo, especialmente entre aquelas que seguem para oeste, em direção ao Golfo.
Kevin Book, diretor de pesquisa da ClearView Energy Partners, afirmou que a reserva americana ainda tem bastante petróleo para liberar em caso de emergência. “Mas, quando se trata de estoques estratégicos, a duração importa. A escala também. Uma crise total em Hormuz poderia superar as compensações oferecidas pelas reservas estratégicas dos EUA e dos membros da Agência Internacional de Energia”, disse.
Analistas e pessoas familiarizadas com as discussões disseram que membros da Opep+ podem decidir aumentar significativamente a produção para tentar acalmar os mercados.
Uma reunião marcada para este domingo deve aprovar um aumento de 137 mil barris por dia em abril, mas uma pessoa próxima ao grupo sugeriu que os membros poderiam autorizar uma elevação três ou quatro vezes maior.
Book acrescentou: “Já esperávamos que os oito países da Opep+ que participam de cortes voluntários adicionassem oferta ao mercado na reunião programada para amanhã, e as hostilidades de hoje podem impulsionar um acréscimo ainda maior.”
Michael Alfaro, diretor de investimentos do fundo de hedge Gallo Partners, disse: “Acho que veremos um salto no preço do petróleo, mas não deve ultrapassar US$ 100, porque a Opep provavelmente anunciará aumentos emergenciais de oferta.”
Washington criou a reserva estratégica após o embargo do petróleo de 1973-74, quando membros árabes da Opep interromperam o fornecimento aos países ocidentais que apoiavam Israel durante a Guerra do Yom Kippur. O embargo quase quadruplicou os preços do petróleo e levou a economia global à recessão.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/03/eua-descartam-…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 01/03/2026 às 04:15

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