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Governo e CFM disputam controle do exame de proficiência em medicina no Senado

  • Projeto dá ao conselho poder para credenciar profissionais; ministério defende uso do Enamed
  • Comissão discute tema nesta quarta-feira (25) e pode encaminhar texto à Câmara

São Paulo

A CAS (Comissão de Assuntos Sociais) do Senado volta a discutir, nesta quarta-feira (25), a criação de um exame de proficiência para recém-formados em medicina.

Estão em pauta duas propostas: que seja formulada uma nova prova, chamada Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina), ou o uso do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) para avaliar o conhecimento dos bacharéis.

A primeira alternativa consta no projeto original apresentado pelo senador Marcos Pontes (PL-SP) e daria ao CFM (Conselho Federal de Medicina) o poder de credenciar ou não profissionais, nos moldes do que ocorre com a prova da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

A imagem mostra um manequim de treinamento em uma cama de hospital, com profissionais de saúde realizando procedimentos de ressuscitação. Um dos profissionais está usando um balão de oxigênio para ventilação, enquanto outro está aplicando compressões torácicas. O ambiente é clínico, com equipamentos médicos visíveis ao fundo.
Doutorandos de medicina durante aula em centro de simulação

Carlos Macedo – 30.mai.25/Folhapress

O texto foi aprovado em primeiro turno no final de 2025, por 11 votos a 9. Para avançar, ele precisa passar por nova votação em segundo turno. O relator, Hiran Gonçalves (PP-RR), ainda pode modificar o parecer para acolher ou rejeitar emendas apresentadas pelos senadores.

Caso obtenha sucesso na CAS, o projeto será enviado à Câmara dos Deputados.

Boa parte das emendas a serem analisadas nesta quarta é de autoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE). Ele defende que o Enamed seja adotado como instrumento de avaliação dos formandos. Na justificativa, afirma que criar um exame separado do sistema já existente seria um desserviço à saúde pública e considera injusto concentrar nos estudantes o ônus de falhas estruturais do ensino médico.

Carvalho também argumenta que ampliar as atribuições do CFM para incluir a avaliação da formação feriria a Constituição ao retirar competências do MEC (Ministério da Educação). Segundo ele, a autarquia já é responsável por fiscalizar, supervisionar, julgar e disciplinar a classe médica e poderia ter sua atuação principal comprometida diante da sobrecarga de funções.

A posição tem o apoio de Felipe Proenço, secretário de Educação na Saúde do governo Lula (PT). À Folha ele defendeu a adoção do Enamed como exame de proficiência e destacou que o modelo avalia não apenas o graduando, mas também o curso e a instituição. “Estamos falando de uma avaliação que não para no estudante, apenas a ponta de todo um processo.”

O CFM, por sua vez, rejeita as emendas governistas, já apresentadas anteriormente como substitutivo e derrubadas na própria comissão. Em nota, a entidade afirma que as propostas fragilizam o exame de proficiência e defende a aprovação do relatório do senador Hiran Gonçalves “para garantir a segurança da população e o bom exercício da medicina”.

Segundo o presidente do conselho, José Hiran Gallo, o Profimed serviria para assegurar que todos os egressos, independentemente da instituição ou do município onde estudaram, cumpram um padrão mínimo de competências clínicas antes de iniciar a prática assistencial.

Os resultados do Enamed, divulgados em janeiro, pressionaram pela criação de um exame para aferir o conhecimento de médicos recém-formados. Ele indicou má qualidade na formação médica no país, sobretudo em escolas privadas.

Um total de 99 cursos de medicina pode ser punido por não alcançar a pontuação considerada satisfatória na primeira edição do Enamed.

Essas graduações são oferecidas por 93 instituições federais e privadas. No exame, elas não conseguiram que 60% dos seus estudantes concluintes no curso alcançassem a proficiência mínima na prova.

Esse montante representa um terço dos 304 cursos de medicina regulados pelo MEC que participaram do exame, criado pelo governo Lula em abril do ano passado.

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