Indignação de Lula com Toffoli respinga em aliança estratégica com STF

Indignação de Lula com Toffoli respinga em aliança estratégica com STF

O desconforto que o caso Master gerou entre o presidente Lula e o ministro Dias Toffoli ameaça ter um efeito colateral e acabar respingando na relação entre o Palácio do Planalto e a “ala política” do Supremo Tribunal Federal.
Lula não escondeu a indignação com a condução de Toffoli como relator da investigação do banco de Daniel Vorcaro.
As decisões polêmicas do ministro —como manter o processo no STF, avocar a si mesmo a relatoria e decretar seu sigilo— soaram ainda mais esdrúxulas quando Toffoli foi apontado como beneficiário de dezenas de milhões de reais do esquema Master.
A crítica se ampliou com a constatação de que Toffoli figura ao lado de bolsonaristas no rol de relacionamentos de Vorcaro. Defender a si mesmo equivale, sob essa ótica, a proteger oposicionistas.
Do lado de Toffoli, a desconfiança paira sobre o papel de Lula na condução da Polícia Federal nas investigações sobre o Master e seus tentáculos. Teria a PF avançado sobre as relações de Toffoli e Vorcaro sem o consentimento do presidente?
O efeito colateral desse estado geral de animosidade pode acabar por deteriorar a mais estratégica aliança do terceiro mandato de Lula. A ponte construída com a ala política do STF serviu de contraponto à relação tormentosa com o Congresso.
Mas a ponte pode virar pinguela se o desgaste se alastrar.
O ministro Alexandre de Moraes foi decisivo na aproximação do STF com o governo, após o 8 de janeiro de 2023. Junto com Gilmar Mendes, Moraes deu respaldo ao presidente diante do golpismo bolsnarista. A eles se somaram Cristiano Zanin e Flávio Dino, indicados por Lula.
Essa “bancada” no Supremo garantiu governabilidade em momentos-chave como na crise do IOF, quando a cúpula do Congresso contrariou interesses centrais do Executivo.
O caminho de volta de Toffoli
Indicado ao STF por Lula em 2009, Toffoli não era exatamente um ministro “governista”, mas votou a favor de interesses do Planalto em diversas ocasiões e tentou aproximações.
O rompimento entre os dois se deu em 2019, quando Toffoli impôs condições que acabaram por inviabilizar que Lula fosse ao velório do irmão quando estava preso pela Operação Lava Jato.
Depois, durante o governo Bolsonaro, Toffoli se aproximou do então presidente e de militares no núcleo do poder. Chegou a chamar o golpe de 1964 de revolução.
Quando Lula se elegeu pela terceira vez, Toffoli começou o caminho de volta. Foi recebido pelo presidente, pediu perdão e ouviu que a página estava virada.
Mas com o caso Master, a relação desandou outra vez.
O conflito de Toffoli entre a figura de relator no STF e uma relação empresarial suspeita geraram desgaste pesado ao Supremo.
Também citado no caso Master pelo contrato do escritório de sua esposa com o banco, Moraes se enfileirou ao lado de Toffoli na primeira sessão do STF no ano.
A solidariedade entre ministros pode enfraquecer o Supremo em ano eleitoral, cuja bandeira da oposição será limitar poderes dos juízes do tribunal.
Lula precisará navegar esses mares revoltos em sua campanha à reeleição.
Quando soube que o ministro André Mendonça foi sorteado para substituir Toffoli no processo do banco, o presidente mostrou alívio.
Como mostrou a coluna, o petista disse a interlocutores que o ministro é “um cara sério”.
Indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para atender às expectativas de lideranças evangélicas, Mendonça conquistou o respeito, não apenas no Planalto,
como também de pares no Judiciário.
Depois de tantas reviravoltas neste roteiro, a mais nova é o petista festejar o ministro “terrivelmente evangélico” do STF.
Como Mendonça vai resistir a pressões dos grupos que apoiaram sua indicação ao STF, as próximas páginas dessa história revelarão.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/colunas/thais-bilenky/2026/02/19…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 19/02/2026 às 05:36
















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