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Justiça rejeita pedido da União para não localizar mortos do Araguaia

Justiça rejeita pedido da União para não localizar mortos do Araguaia
Justiça rejeita pedido da União para não localizar mortos do Araguaia

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Política

Justiça rejeita pedido da União para não localizar mortos do Araguaia

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região negou um recurso da União movido durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2022, contra uma decisão da Justiça Federal que mandava recriar o grupo de trabalho para buscar os restos mortais dos desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia. A decisão foi obtida com exclusividade pelo UOL.

O que aconteceu

Quinta Turma do tribunal foi unânime ao decidir, no fim de janeiro, que é legítima a intervenção do Poder Judiciário para obrigar o Executivo a cumprir a sentença. O governo brasileiro já foi condenado a auxiliar os familiares das vítimas da guerrilha a localizar e sepultar os restos mortais, mas, no governo Bolsonaro, o grupo que cuidava disso foi extinto e, em julho de 2022, a Justiça Federal em Brasília mandou que o governo recriasse o grupo de trabalho em 30 dias.

Foi dessa decisão que a União recorreu ao tribunal. A AGU (Advocacia-Geral da União) alegou que medida seria uma violação da separação de Poderes e que buscas “sem novas informações” seriam infrutíferas. Em resposta ao recurso, o desembargador federal Eduardo Martins, relator do caso, afirmou que “a ineficiência do grupo anterior não pode servir de pretexto para a inércia contínua”.

Caso só foi julgado em 27 de janeiro deste ano. Em paralelo a isso, como já mostrou o UOL, o governo federal acabou recriando o grupo de trabalho no governo Lula (PT), após ter sido obrigado pela Justiça Federal em 2024.

A AGU não explicou por que não desistiu do recurso mesmo no governo Lula. Questionada se iria recorrer da decisão, a AGU informou, por meio de nota, que “se manifestará nos autos do processo dentro do prazo judicial”.

A alegação da União de que o Grupo de Trabalho anterior (GTA) esgotou todas as possibilidades e que novas buscas seriam infrutíferas sem novas informações não se justifica. É responsabilidade do Estado, detentor dos registros e do poder investigativo, buscar ativamente essas informações. Ademais, a ineficiência do grupo anterior não pode servir de pretexto para a inércia contínua. A criação de uma nova estrutura, com um plano de trabalho claro e com a participação de especialistas em investigação, é precisamente o que se espera para superar os obstáculos encontrados até agora.
Eduardo Martins, desembargador do TRF-1

Governo condenado

O processo sobre os mortos da guerrilha se arrasta. O governo federal foi condenado em 2003 a auxiliar os familiares a encontrar os restos mortais, sob pena de multa diária. Foram organizadas várias expedições à região onde ocorreram os confrontos entre as Forças Armadas e o movimento armado, no sul do Pará.

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Governo é obrigado a buscar respostas. A sentença já transitou em julgado, isto é, não cabem mais recursos. Atualmente, a Justiça está na fase do chamado “cumprimento de sentença”, ou seja, fiscalizando se as autoridades estão cumprindo o que foi determinado. Ao todo, 32 familiares de vítimas fazem parte do processo na Justiça que cobra respostas do Estado brasileiro.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/0…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 01/03/2026 às 06:22

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