Mônica Bergamo

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Descrição de chapéu

Santa Catarina


Laudo de cão Orelha diz que ele não sofreu fraturas causadas por ação humana

  • Peritos afirmam que ausência de fraturas não descarta trauma cranioencefálico fatal
  • Análise examinou todos os ossos do animal

Laudo pericial realizado pela Polícia de Santa Catarina no corpo do cão Orelha afirma que “não foram constatadas fratura ou lesão que pudessem ter sido causadas por ação humana, nem mesmo no crânio”.

Os peritos Igor de Salles Perecin e Paulo Eduardo Miamoto Dias chegaram à conclusão depois que “todos os ossos do animal foram minuciosamente examinados visualmente”. A análise afirma ainda que não foi possível identificar a causa da morte.

À esquerda, cachorro preto com manchas marrons deitado de lado no chão cinza, recebendo carinho na barriga por uma mão humana. À direita, close do rosto do mesmo cachorro com olhar direto para a câmera, mostrando uma pequena ferida próxima ao olho direito.
Cão Orelha, animal comunitário que morreu após sofrer ferimentos na Praia Brava em Florianópolis

Reprodução/NDTV

Eles afirmam ainda que, “sobre a possibilidade de ter sido cravado um prego na cabeça do animal, veiculada em redes sociais e veículos de comunicação, não foi constatado qualquer vestígio que sustente tal hipótese. A penetração de um prego na cabeça do animal deixaria uma fratura circular em crânio, o que não se verificou”.

No mesmo laudo, os profissionais afirmam que, apesar dessa constatação, não é possível garantir que não houve “ação contundente contra a cabeça” do cão Orelha.

“A ausência de fraturas no esqueleto do animal não deve ser interpretada como ausência de trauma cranioencefálico ou mesmo em outras partes do corpo. A literatura especializada afirma que a maioria dos traumas cranianos não apresenta fraturas, porém ainda são capazes de levar os animais a morte.”

O cachorro foi exumado neste mês por determinação do Ministério Público de SC no âmbito de investigação sobre as causas da morte do animal, que causou grande comoção no país pela suspeita de que ele tenha sido torturado por adolescentes.

O laudo explica que o trauma cranioencefálico pode ser primário ou tardio.

“Os primários são os que ocorrem no momento da injúria (fratura, contusão cerebral, laceração, etc); os secundários são mais tardios, podendo aparecer em minutos ou dias (exemplos, edema cerebral, inflamação, aumento da pressão intracraniana)”, dizem.

“Assim, é plenamente plausível que o animal tenha sofrido um trauma contundente em cabeça em um dia e piorado clinicamente de forma progressiva até o outro. O aparecimento dos efeitos secundários depende
de uma resposta individual do animal, tipo de instrumento utilizado, velocidade do golpe, idade do animal, entre outros”.

No texto, os peritos esclarecem que o cachorro já estava “em fase de esqueletização” quando foi exumado, “restando comprometida a análise de tecidos moles”.

Por isso, o exame se limitou “à minuciosa avaliação óssea dos remanescentes mortais”, com o objetivo de “buscar por lesões ósseas que poderiam ter sido causadas por ação humana contra o animal”.

No exame, eles dizem ter constatado “uma área de porosidade óssea” na região maxilar esquerda do crânio do animal, processo que seria, segundo escreveram, crônico, “não havendo qualquer relação com a ação traumática à qual o animal foi submetido, já que entre a ação traumática e o óbito houve o
transcurso de apenas um dia”.

A coluna vertebral apresentou alterações comuns, segundo eles, “em animais idosos e que nada se relaciona com eventual trauma recente”.

com DIEGO ALEJANDRO, KARINA MATIAS e VICTÓRIA CÓCOLO

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