Living Colour chega aos 40 anos dividida entre o heavy metal e o jazz experimental


Living Colour chega aos 40 anos dividida entre o heavy metal e o jazz experimental
- Grupo se apresenta em quatro cidades do Brasil em turnê
- Vocalista Corey Glover diz amar brasileira Black Pantera
Paraty (RJ)
O grupo americano Living Colour desembarca no Brasil em fevereiro para mais uma turnê, “The Best of 40 Years Tour”, que celebra quatro décadas de existência do quarteto. A excursão passa por Porto Alegre (26/2), São Paulo (27/2), Rio de Janeiro (28/2) e Curitiba (1/3), além de datas na Argentina e Chile.
Formado em Nova York em meados dos anos 1980, o Living Colour se notabilizou por transitar com desenvoltura entre duas cenas musicais distintas de Nova York: a cena do punk e heavy metal de clubes como o lendário CBGB’s, e a cena do jazz experimental de vanguarda, da qual fazia parte o guitarrista Vernon Reid e o baterista Will Calhoun. “Nós demos muita sorte”, diz o cantor Corey Glover, 61. “Não é toda banda iniciante que tem entre seus integrantes um músico formado em Berklee (Will Calhoun formou-se na prestigiosa Berklee School of Music, em Boston). Isso nos destacava muito.”
O Living Colour tocou no Brasil pela primeira vez em 1992. “Temos uma sinergia impressionante com o público brasileiro”, diz Glover. “São várias gerações de brasileiros que já nos viram tocar ao vivo, e o público daí nos abraçou desde o primeiro show. Sabemos que nem todas as bandas recebem esse tipo de atenção e somos muito gratos por isso. É maravilhoso ir para um lugar onde as pessoas admiram o que a gente faz, e nós sempre tentamos, a nosso modo, celebrar a música brasileira e a importância que ela tem para o mundo.” Glover diz que a faixa “Glamour Boys”, lançada em 1988 no disco de estreia da banda, “Vivid”, já era uma tentativa de fazer uma música solar e animada, inspirada por ritmos brasileiros.
Desde o início dos anos 1990, a formação do Living Colour permanece a mesma: Vernon Reid (guitarra), Corey Glover (vocal), Doug Wimbish (baixo) e Will Calhoun (bateria). Todos músicos excepcionais e com carreiras sólidas não apenas no rock, mas no jazz e na música experimental. O baterista Calhoun já tocou com Wayne Shorter e Marcus Miller, o baixista Wimbish gravou com Rolling Stones, Depeche Mode e James Brown, e o guitarrista Reid tem uma extensa carreira solo que engloba discos de jazz, soul e pop. Já o cantor Glover se notabilizou por trabalhos no cinema e teatro, atuando em filmes como “Platoon” (dirigido em 1986 por Oliver Stone) e peças como “Jesus Cristo Superstar”.
“O que nos mantêm vivos e felizes é a possibilidade de explorar coisas diferentes”, diz Glover. “Desde o início do Living Colour, a improvisação e a tentativa de criar algo novo têm sido nossa maior motivação. Não achamos graça em repetir o que já fizemos antes, e esse espírito é o que move a banda para a frente.” Glover diz que o grupo está se reunindo em estúdio para compor músicas para um novo disco, que seria apenas o sétimo álbum de inéditas da banda e o primeiro desde “Shade” (2017).
“Nosso processo é o mesmo desde sempre”, diz o cantor. “Entramos no estúdio e cada um mostra suas ideias. A partir disso, começamos a fazer ‘jams’, e quando todos os quatro se empolgam com uma música, a coisa ganha uma nova dimensão. Tudo pode nos inspirar: bandas novas, um disco que não conhecíamos, ou até mesmo o noticiário e os acontecimentos que nos afetam.”
Quando a conversa chega a uma jovem banda brasileira, Black Pantera, que se diz muito inspirada pelo Living Colour e pelo fato de a banda ser formada por artistas negros, Glover se empolga: “Amo esses caras. Fico emocionado por tê-los inspirado e me lembro de artistas negros que foram modelos para nós, como Parliament Funkadelic, Prince, Little Richard e Jimi Hendrix. É muito bom saber que tivemos esse tipo de influência em alguém”.
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/02/living-colou…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 25/02/2026 às 04:31

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