Mansueto defende fórmula Temer para economia e critica aumento de despesas com programas sociais


Mansueto defende fórmula Temer para economia e critica aumento de despesas com programas sociais
- Economista-chefe do BTG defende que solução para problemas fiscais passa por controle do crescimento de despesas
- Ele participou dos governos Temer e Jair Bolsonaro e é citado como possível integrante da equipe de Flávio Bolsonaro
São Paulo
Para Mansueto Almeida, economista-chefe e sócio do BTG Pactual, a solução para os problemas fiscais do Brasil passa por uma agenda semelhante à tocada pelo ex-presidente Michel Temer em 2017: controle de gastos públicos, em especial os destinados a programas sociais.
Em meio a críticas à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente da economia, o economista reforçou a percepção do mercado de que, a partir de 2027, controlar o crescimento das despesas será essencial para evitar um “cenário bastante desafiador e com riscos muito maiores do que os que tivemos nos últimos quatro anos”.
A solução, segundo afirmou em evento do BTG nesta quarta-feira (25), não é difícil e tem exemplos na história recente.
“Quando estive no governo Temer, colocamos uma regra: daqui para frente, o crescimento real do gasto público federal será próximo de zero. A PEC do Teto [de Gastos] apertou o financiamento para estados e municípios, e o que aconteceu foi que a taxa Selic foi de 14,25% em maio de 2016, com juro real de 7,5%, para 6,5% em maio de 2018, com juro real de 4%”, disse.
Mansueto participou do governo Temer como secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, cuidando da política fiscal, e, depois, como secretário do Tesouro, entre 2018 e 2020, já no governo de Jair Bolsonaro. Ele também é citado como um dos nomes possíveis para compor a equipe econômica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência neste ano.
“Em 2019, aprovamos a reforma da Previdência e terminamos o ano com a Selic em 4,5% e juro real em 3,5%. Não me venham com essa história de que é impossível fazer ajuste fiscal no Brasil. É possível, desde que haja vontade política, desde que o governo reconheça que, para o país crescer, não precisa de mais subsídios, tampouco iremos solucionar nossos problemas aumentando impostos em um país de carga tributária já muito alta.”
A PEC do Teto de Gastos previa que, para controlar a dívida pública, o crescimento de gastos não poderia ultrapassar a inflação, com reajustes baseados no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). A regra foi flexibilizada durante o governo Jair Bolsonaro (PL), e os apelidados “furos no teto” superaram o montante de R$ 795 bilhões, impulsionados por gastos na pandemia de coronavírus, a PEC dos Precatórios e a PEC Kamikaze.
O teto de gastos foi substituído pelo arcabouço fiscal do ministro Fernando Haddad (Fazenda) em 2023, que, hoje, também é visto como um dispositivo que carece de ajustes e controles mais rígidos.
A defesa pelo controle de despesas, já alardeada por outros economistas do mercado, passa pela percepção de que o aumento de gastos públicos, somado aos baixos níveis de desemprego, pressiona a inflação e forçam o Banco Central a manter a Selic em patamares “insustentáveis”.
O juro alto aumenta a dívida pública, limita o crescimento econômico e trava investimentos. “Quem está na economia real precisa fazer um enorme esforço de competição e de crescimento com uma bola de ferro presa no pé, que é juro alto e imposto alto”, afirmou Mansueto.
“Controlando o crescimento do gasto público, teremos juros menores, que vão ajudar na retomada do investimento e do crescimento, e nós podemos nos concentrar em outros problemas que também são graves no Brasil, como educação.”
Segundo ele, o governo Lula equilibrou as contas públicas pela ponta da arrecadação, enquanto as despesas reais cresceram cerca de 20%. O objetivo, afirma, não é fazer um “corte draconiano” nos gastos, mas fazer um controle de crescimento.
“Quem quer que seja o governo em 2027, não vai precisar cortar R$ 100 bilhões, R$ 200 bilhões, em despesas de um ano para o outro. Depois de quatro anos de crescimento de gastos, o que é preciso é controlar o crescimento desse gasto, hoje com ganho real acima da inflação.”
Mansueto ainda afirmou que a solução para a desigualdade e para a pobreza no país não passa pelo aumento de programas sociais. “Os programas já são muito amplos. Na comparação internacional, o Brasil já gasta mais com programa social do que qualquer país da América Latina. O problema é a má qualidade do gasto. Muito do que chamamos de política social não tem nada a ver com política social. Não reduz pobreza, não reduz desigualdade.”
Parte desse controle viria de uma nova reforma da Previdência. A aposentadoria, hoje, é reajustada a partir do salário mínimo, que tem ganho real acima da inflação. Em 2026, o piso previdenciário subiu de R$ 1.518 para R$ 1.621, um aumento de 6,79% –em 2025, a inflação acumulada medida pelo IPCA foi de 4,26%.
“Mais de 50% do gasto previdenciário tem aumento real todo ano, além da entrada de novas pessoas na aposentadoria. Só que nós estamos em um contexto de mercado de trabalho aquecido, e a própria dinâmica dele puxa o salário de contratação para cima. Dito isso, não precisaríamos ter aumentos reais tão grandes do salário mínimo, porque, nesse caso, afeta o gasto da Previdência e torna muito difícil qualquer ajuste fiscal.”
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📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/02/mansueto-defen…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 25/02/2026 às 17:16

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