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Na Cúpula de IA da Índia, Lula fala em dois lados da tecnologia

Na Cúpula de IA da Índia, Lula fala em dois lados da tecnologia

📅 19/02/2026 07:53
📰 Fonte: Tecnologia – olhardigital.com.br

A Índia recebe desde segunda-feira (16) a Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial​ 2026. O evento continua até sexta-feira (20), em Nova Déli, marcando a primeira cúpula internacional de IA no Sul Global.

O encontro reúne presidentes, primeiros-ministros, executivos de tecnologia, pesquisadores e líderes da sociedade civil para cinco dias de debates sobre o futuro dessa tecnologia – incluindo segurança, governança e colaboração global em IA.

O presidente Lula discursou na Cúpula nesta quinta-feira (19). Segundo ele, existem dois lados da tecnologia: “toda inovação tecnológica de grande impacto possui caráter dual e nos confronta com questões éticas e políticas” – destacou o presidente.

Presidente Lula participa da Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificialhttps://t.co/RUjT8DaFM6

  • Lula comparou a IA a outras grandes revoluções da tecnologia, como a aviação, a engenharia genética e a corrida espacial. Ele pontou que os avanços sempre podem trazer benefícios coletivos e, ao mesmo tempo, representar ameaças.
  • No caso das IAs e da revolução digital, o presidente brasileiro disse enxergar algumas dualidades. Essas tecnologias, segundo ele, são positivas para a produtividade das indústrias, serviços públicos, medicina, segurança alimentar e produção energética. Por outro lado, podem alimentar práticas “extremamente nefastas” – nas palavras de Lula. O presidente citou armas autônomas, discurso de ódio, desinformação, pornografia infantil, feminicídio, violência contra mulheres e meninas e precarização do trabalho.
  • Ainda segundo Lula, “conteúdos falsos manipulados por IA distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”.

O presidente também defendeu a regulamentação das big techs: “

“Os algoritmos não são apenas aplicações de códigos matemáticos que sustentam o mundo digital. São parte de uma complexa estrutura de poder. Sem ação coletiva, a inteligência artificial aprofundará desigualdades históricas. Capacidades computacionais, infraestrutura e capital permanecem excessivamente concentrados em poucos países e empresas. Os dados gerados por nossos cidadãos, empresas e organismos públicos estão sendo apropriados por poucos conglomerados, sem contrapartida equivalente em geração de valor e renda em nossos territórios. (…) Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”.

“A regulamentação das chamadas big techs está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países” – completou o presidente.

“O modelo atual de negócio dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia ao direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política. O regime de governança dessas tecnologias definirá quem participa, quem é explorado e quem ficará à margem desse processo.”

Sobre a posição do Brasil em relação aos objetivos que a tecnologia deve ter, Lula afirmou:

“O Brasil defende uma governança que reconheça a diversidade de trajetórias nacionais e garanta que a IA fortaleça a democracia, a coesão social e a soberania dos países”.

  • Ainda nesta quinta-feira, Lula se reuniu com Sundar Pichai, CEO do Google.
  • De acordo com Lula, o executivo destacou a importância do Brasil para a empresa e os investimentos feitos no país.
  • Sundar Pichai citou a inauguração do Centro de Engenharia em São Paulo e parcerias com o setor público.
  • Do lado do governo, Lula trouxe a perspectiva do Planalto para a área de inteligência artificial e projetos para atrair investimentos no setor de data centers.
  • Outro assunto na pauta foi a preocupação com os riscos associados às IAs.
  • Lula afirmou que Sundar Pichai demonstrou compromisso em ampliar a parceria com o Brasil e desenvolver mais ações conjuntas com o setor privado.

Mantive reunião hoje (19) com Sundar Pichai, CEO do Google, a seu pedido, durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial (IA), na Índia. Pichai falou da importância do Brasil para o Google, dos investimentos da empresa no país, da abertura do Centro de Engenharia em… pic.twitter.com/BmeJnbZy4B

  • O presidente Lula desembarcou nesta quarta-feira (18) em Nova Déli. O primeiro compromisso foi o discurso desta quinta-feira.
  • Na sexta-feira (20), o governo brasileiro fará um evento paralelo chamado “IA para o bem de todos”, com o intuito de apresentar as perspectivas do país para o futuro da IA. O evento contará com a presença de ministros de Estado – representando as pastas de Ciência, Tecnologia e Informação; Gestão e Inovação nos Serviços Públicos; Educação; Saúde; e Comunicações.
  • No sábado (21), Lula será recebido em visita de Estado e cumprirá agenda de encontros com lideranças indianas.
  • Na reunião com o primeiro-ministro Narendra Modi, os dois líderes vão dialogar sobre a cooperação entre o Brasil e a Índia nas áreas de comércio, investimentos, defesa, aviação, tecnologias digitais, inteligência artificial, economia e finanças, transição energética, minerais críticos, saúde, acesso a medicamentos e indústria farmacêutica, além de cooperação espacial, por exemplo.
  • Segundo o Planalto, deverão ainda tratar dos atuais desafios ao multilateralismo e da necessidade de uma reforma abrangente da governança global.
  • Em 2025, a Índia foi o quinto maior parceiro comercial do Brasil, com corrente de comércio de US$ 15,2 bilhões.

Lula fica em Nova Déli até sábado e, depois, viajará para Seul, na Coreia do Sul. Entre os dias 22 e 24 de fevereiro, se reunirá com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e com executivos de grandes empresas locais. Também está na agenda um fórum empresarial com mais de 200 executivos brasileiros.

O jornal Folha de S.Paulo teve acesso ao conteúdo da Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro, acordo que será anunciado no fim de semana. De acordo com a reportagem, o texto prevê:

  • Um centro de excelência conjunto em infraestrutura pública.
  • Colaboração em identidade digital, pagamentos digitais e compartilhamento de dados.
  • Rede aberta de IA para ação climática em países em desenvolvimento.
  • Cooperação em IA na adoção e desenvolvimento de grandes modelos de linguagem.
  • Parceria em semicondutores.
  • Acordos sobre governança de internet e inovação em IA com respeito a direitos autorais.

Fontes ouvidas pelo jornal de vários ministérios dizem que o pano de fundo é impedir que o “Sul Global” fique para trás na corrida das IAs. O governo entende que essa é uma frente da desigualdade a ser atacada.

“A cadeia de IA que vai desde as terras raras até o software não pode levar a um maior desequilíbrio entre países nem aprofundar a desigualdade dentro dos países. É muito importante debater quem vai produzir a tecnologia, como ela vai ser distribuída, e como o Brasil se insere nisso de uma maneira diferente das últimas mudanças tecnológicas, em que ficamos correndo atrás”, afirmou à Folha Esther Dweck, ministra da Gestão e da Inovação.

Outro assunto na pauta de Lula, escreve o jornal, é a defesa da soberania do Brasil para regular as big techs. O brasileiro também deve defender uma governança global das IAs.

A Folha de S.Paulo também informou que o Brasil deve lançar um memorando de entendimento sobre minerais críticos.

  • Os minerais críticos incluem elementos como lítio, cobalto, níquel e terras raras, essenciais para setores como defesa, tecnologia de ponta e transição energética. Eles são a base de produtos como baterias de carros elétricos, painéis solares, turbinas eólicas e semicondutores, o que aumenta a pressão internacional por acesso a reservas e cadeias de suprimento mais seguras.

Esse será o primeiro acordo bilateral do Brasil voltado para minerais críticos. Vale destacar o fato de a parceria ser com a Índia – e não com os protagonistas China e Estados Unidos.

O jornal antecipa que o acordo e as falas de Lula deverão sinalizar alguns princípios do Brasil em relação ao tema:

  • Não à exclusividade: o governo não quer firmar tratados de exclusividade. Os EUA estão pressionando alguns países a seguirem esse caminho.
  • Desenvolvimento interno: o presidente brasileiro deve mostrar o interesse em estimular o processamento por aqui, deixando de fornecer apenas a matéria prima.

📌 Fonte original: https://olhardigital.com.br/2026/02/19/inteligencia-artifici…

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