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‘Nunca vi isso em 20 anos’, diz morador de Juiz de Fora após temporal

'Nunca vi isso em 20 anos', diz morador de Juiz de Fora após temporal
'Nunca vi isso em 20 anos', diz morador de Juiz de Fora após temporal

‘Nunca vi isso em 20 anos’, diz morador de Juiz de Fora após temporal

O morador de Juiz de Fora, em Minas Gerais, o professor Ivan Peluzo Cid, 41, diz que ficou cercado após o temporal que atingiu a cidade nesta madrugada. Ao menos 19 pessoas morreram desde a noite de ontem. A cidade decretou estado de calamidade pública após registrar enchentes e deslizamentos.

O que aconteceu

Morador do bairro Vila Ideal, Ivan relata estar sem acesso ao centro da cidade de Juiz de Fora em função dos deslizamentos de terra e da cheia no rio Paraibuna. “Nunca vi isso em 20 anos”, diz ele que nasceu no município e passou boa parte da vida na cidade. Ele relata que a casa em que vive está localizada na região sudeste de Juiz de Fora.

Chuvas tiveram início no final da tarde de ontem, segundo ele. “Quando começou a chover direto eu passei a acompanhar as notícias e vi que muitas pessoas passaram boa parte da noite nas estradas por conta dos deslizamentos”, afirma. “Mas, eu não consegui ter muita noção do estrago, naquele momento, porque fiquei cercado, sem conseguir sair de casa”.

Rio estava com volume muito alto, diz Cid que chegou a fazer vídeos das águas. Ele diz ainda que ficou acordado até as 3h da manhã preocupado com eventuais estragos. “Só por volta das 00h que os moradores da região começaram a ter as primeiras notícias e a real noção do que estava acontecendo”.

Propriedade está cercada com pontos de deslizamento de terra ao redor, afirma o morador. Cid afirmou ao UOL que na manhã de hoje saiu para caminhar por cerca de um quilômetro e em 500 metros avistou três deslizamentos de terra responsáveis por interditar o trajeto até o centro de Juiz de Fora. “Fui caminhando pela estrada que dá acesso ao centro da cidade, não tinha movimento nenhum, nem de pessoas, nem de veículos”, diz. “Não consigo sair para comprar nada, nem alimentos, nem itens de primeira necessidade”.

Durante o trajeto, o professor relata que além dos deslizamentos de terra chegou a ver pedras caídas pelo caminho”. “Vi uma delas com o tamanho de dois carros”, diz. “É uma região de morro, em todos os lugares próximos daqui tem muito barranco. Minha casa fica bem ao fundo de uma região de vale e o rio domina a paisagem”.

Cid relata que mesmo diante do volume de água das chuvas e do volume de água do rio a casa em que vive não sofreu tantos estragos. “Há uma estrutura na beira do rio que a água levou. Foi um desbarrancamento. Dentro da minha propriedade caiu pouca terra”, afirma. Ele conta que tem familiares na cidade vizinha de Matias Barbosa. “Eles estão incomunicáveis”.

Agora, Cid aguarda que os acessos à cidade sejam abertos. “Preciso manejar a apreensão, não tem o que fazer, é economizar água e mantimentos, e esperar abaixar a água do rio”, afirma ele. Enquanto falava com a reportagem, o professor afirmou ter recebido um novo alerta da Defesa Civil com previsão de mais chuva. “Informaram que a previsão é de mais chuva até sexta. Como o solo está encharcado, a água não tem pra onde ir.”

Ele lembra que situação semelhante ocorreu somente em 2004, quando vivia na mesma casa. “Tivemos que que sair da casa, mas espero que dessa vez não aconteça o mesmo e que logo liberem alguns dos acessos para a cidade”, diz ele.

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Estado de calamidade

Maioria dos mortos está nos bairros JK e Santa Rita, com quatro vítimas em cada. As mortes aconteceram em deslizamentos nas ruas Natalino José de Paula e na rua Orville Derby Dutra. Informações são do Corpo de Bombeiros. Uma equipe especializada de Belo Horizonte foi mobilizada para a cidade, que fica a 260 km da capital mineira. Vinte e dois militares e três cães de busca estão a caminho de Juiz de Fora, segundo o CBMMG.

Duas pessoas morreram no bairro da Vila Ideal, na rua João Luís Alves. Os bairros de Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa têm cada um uma morte, segundo o balanço da prefeitura. Informações sobre as outras cinco mortes ainda não foram detalhadas.

Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com 584 mm até o momento, o dobro do esperado para o mês. “É uma situação extrema, que permite medidas extremas”, disse a prefeita Margarida Salomão (PT), em vídeo postado nas redes sociais.

O acumulado de chuva ultrapassou 180 milímetros em alguns pontos do município. No bairro Nossa Senhora de Lourdes, o volume chegou a 186,1 mm. Em Santa Rita, foram registrados 172,7 mm. Já no Distrito Industrial, o acumulado atingiu 161,2 mm, sendo o terceiro local mais afetado.

A prefeitura orienta a população a permanecer em locais seguros e evitar deslocamentos desnecessários. Avenida Desdedith Salgado está com o tráfego limitado após a queda de uma árvore. Já as ruas Olavo Bilac e Bernardo Mascarenhas estão bloqueadas por galhos.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2026/…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 24/02/2026 às 11:38

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