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O Carnaval não cabe na lata: o samba rebaixado

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Opinião

O Carnaval não cabe na lata: o samba rebaixado

Menos, senhor Thiago Martins, menos.

Para quem não o conhece, apresento: este é o nome do homem que babou ovo na camisa de linho branca do presidente Lula.

Carnavalesco da Acadêmicos de Niterói, hoje de cabeça inchada, deve estar na base do chazinho de mulungu. Talvez sirva também para tristeza e arrependimento.

À venda nas melhores casas do ramo.

O chá, não o senhor.

Serei respeitoso. Façamos justiça. A ideia do operário-mulungu-presidente não deve ter sido sua. Se foi, me perdoe por não lhe dar crédito.

O arroubo criativo tem mais a cara de um mago, à época de campanhas políticas, chamado de marqueteiro.

Mas o doloroso rebaixamento da sua escola, senhor Martins, vai acabar ficando na sua conta.

Para Brasília é que não vai, né? Já tem gente que aplaudiu, se emocionou, gritou, chorou, puxou os cabelos e agora está conformada.

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O rebaixamento foi técnico, não foi político.

“Deus castiga”, diria um membro evangélico da comunidade niteroiense. Ou um pai de família enlatado. Ter família virou escracho. “Neoconservadores em conserva”. O senhor Thiago Martins não sabe o que é um pêssego doce. Pois fique com o caroço do fruto do mulungu.

Já disse aqui que quem frequenta a sombra do mulungu são os calangos, raposas, gambás. O pica-pau não.

O fundador da marca de roupas Reserva, Rony Meisler, que tem um pica-pau como símbolo, não aguentou o enredo do senhor Martins e desabafou nas redes sociais:

“Minha família é em conserva com muito amor e orgulho. Foi e será assim sempre. Unida. Amorosa. Respeitosa com todos os gêneros, raças e credos… Uma família que não se acha melhor ou pior do qualquer outra. Uma família sem benefícios escusos. Sem favores políticos. Uma família de centro num mundo de extremos. Uma dentre milhões que votará em outubro…”

Mas o mulungu pode voltar à pauta antes disso.

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Será inevitável que o TSE analise novamente o caso. E não foi por falta de aviso. Mas pizza não cabe em lata. E as ações não devem dar em nada. No máximo uma multa.

Será paga com dinheiro do Fundo Partidário. Não vai nem fazer cócegas no cofre. Dessa vez, a Embratur não precisará se preocupar com mesuras e gentilezas.

Aliás, senhor Martins, o senhor que é carnavalesco profissional tem que saber que essa história de política no samba pode até agradar a arquibancada (houve vaias e aplausos, diga-se de passagem), mas não convence os jurados.

Quem é do samba sabe disso.

E o ponto crítico é exatamente o enredo. O jurado não avalia se concorda com a ideia. Ele avalia se a história está clara, coerente e bem traduzida visualmente. Se não há uma lógica narrativa, acontece o que os jurados chamam de “quebra de unidade temática”. É quando o desfile vira apenas uma charge, ou uma campanha.

E aqui entre nós, hein, senhor Martins, o seu mulungu não contava a história inteira, né? Faltaram umas alas no seu enredo. Foi treze, né?

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De terras estrangeiras, o homenageado ainda não se manifestou. Quem beija o estandarte da escola agora são os próprios componentes, desiludidos.

Mas nem tudo está perdido.

A vitória do carnaval carioca é da Viradouro. É o lado samba bom de Niterói, e tem o vermelho como cor predominante.

Olê, olê, olá.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/colunas/marco-antonio-sabino/202…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 19/02/2026 às 05:36

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