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Protesto bolsonarista na Paulista chega à véspera com pauta difusa após racha interno

  • Nikolas Ferreira (PL) anunciou o ato sob o mote ‘Fora, Lula, Moraes e Toffoli’, mas correligionários reagiram e pediram foco na anistia
  • Texto dos organizadores fala em seis pautas, e participantes afirmam que todos terão a liberdade para defender o que quiserem

São Paulo

O protesto bolsonarista marcado para este domingo (1) na avenida Paulista chega à véspera com uma pauta difusa, após atrito público entre um dos organizadores do ato, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), e correligionários.

Nikolas anunciou a manifestação “Acorda, Brasil” no dia 12 de fevereiro, sob o mote “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Uma ala bolsonarista reagiu nas redes sociais, por avaliar que não é estratégico priorizar agora o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Para esse grupo, o foco deve ser a anistia aos manifestantes do 8 de Janeiro e a liberdade para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Bandeiras do Brasil penduradas em uma calçada com bonés amarelos de campanha eleitoral com texto 'Flávio Bolsonaro 2022'. Ao fundo, carros trafegam em via urbana sob árvores.
Bonés de Flávio Bolsonaro vendidos em São Paulo, na sexta-feira (27)

Rafaela Araújo/Folhapress

Na sexta-feira (27), questionado se o “Fora, Toffoli” é pauta da manifestação, o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, respondeu: “A pauta foi colocada pelo Nikolas, está pública. É ‘Fora, Lula’, ‘Fora ministros do Supremo’. Contra a corrupção generalizada, a crise moral que vive o país. Cada um vai dar o seu tom”.

Como mostrou a Folha, Flávio foi aconselhado a não explorar politicamente a bandeira do afastamento de Toffoli.

Indagado se é favorável ao impeachment do ministro, o senador respondeu que é a favor do afastamento de qualquer um que tenha cometido crimes. “Eu assino o impeachment de todo mundo, assino CPI de tudo. Sou a favor [do impeachment] de todo ministro que tenha cometido crime. Mas as coisas não andam”, disse.

O protesto começará às 14h e terá um trio elétrico, estacionado na esquina da avenida com a rua Peixoto Gomide. Segundo o deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos), um dos organizadores, o custo da manifestação será de aproximadamente R$ 130 mil, arrecadados por meio de uma “vaquinha”.

Participantes consultados pela reportagem afirmaram que cada um terá a autonomia para defender o que desejar no protesto. Abduch diz que essa liberdade está garantida, contanto que respeitadas as instituições.

O pastor Silas Malafaia, que divulgou um vídeo replicando a pauta anunciada por Nikolas, diz à Folha que, nos atos organizados por ele, “nunca teve carta marcada ou exigência do que falar ou não”.

“Eu não coordeno essa manifestação, estou participando, mas acho que cada um fala o que quer. Ninguém vai dizer para Nikolas o que vai falar ou não, nem para mim, isso aí é bobagem.”

Participantes também relataram ter consultado advogados eleitorais para esclarecer o que pode configurar propaganda eleitoral antecipada e se prevenir, já que Flávio Bolsonaro estará presente. Também está prevista a participação dos presidenciáveis e governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não participará porque terá viajado à Alemanha para um compromisso público.

O atrito entre Nikolas e seus correligionários escalou quando o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou em entrevista ao SBT News que considera insuficiente o apoio do deputado e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro à pré-campanha de Flávio. Ao longo do fim de semana passado, aliados e apoiadores de Eduardo e de Nikolas trocaram farpas nas redes.

O incômodo é antigo. São frequentes as reclamações sobre uma suposta tentativa de Nikolas de se descolar de Bolsonaro e privilegiar o próprio engajamento e crescimento político —o que aliados do deputado resumem como “dor de cotovelo” e disputa por protagonismo.

Como mostrou a Folha, políticos do centrão avaliam que as brigas públicas de lideranças do PL dificultam a costura de alianças em torno de Flávio e arranham a imagem de moderação que ele tenta projetar. Na quarta-feira (25), em reunião com integrantes do PL, o senador pediu união da direita e sentou-se ao lado de Nikolas.

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O deputado Nikolas Ferreira e o pastor Silas Malafaia em manifestação bolsonarista contra o ministro Alexandre de Moraes, na avenida Paulista, em 2024

Bruno Santos – 07.set.2024/Folhapress

Na última semana, um deputado do PL disse à reportagem que não sabia se subiria no trio elétrico durante a manifestação de domingo, por considerar que o clima estava ruim. Outro político de direita disse que precisava entender qual seria, de fato, a pauta da manifestação para avaliar se compareceria.

Segundo texto enviado por Abduch, a manifestação terá seis pautas: “liberdade aos presos políticos”, “harmonia entre os poderes”, “combate à corrupção”, “contra o aumento de impostos”, “contra os prejuízos das estatais” e “contra o aumento da criminalidade”.

A reportagem questionou o deputado por que não havia menção específica ao afastamento de Toffoli, como proposto por Nikolas. Ele respondeu que a pauta está contemplada no eixo do “combate à corrupção”. A Folha revelou no último mês conexões entre o ministro, o resort Tayayá e o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

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