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Quebra dos sigilos de Lulinha espeta espinho no pé de Lula

Quebra dos sigilos de Lulinha espeta espinho no pé de Lula
Quebra dos sigilos de Lulinha espeta espinho no pé de Lula
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Opinião

Quebra dos sigilos de Lulinha espeta espinho no pé de Lula

Numa fase em que o poder em Brasília é medido pela capacidade dos poderosos de fechar portas, os sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, o primogênito do presidente da República, foram escancarados em duas frentes de investigação: na CPI do INSS e no inquérito da Polícia Federal sobre o roubo contra os aposentados.

A decisão da CPI, tomada em sessão tumultuada nesta quinta-feira, choveu no molhado, pois a providência já havia sido requisitada pela PF e autorizada pelo ministro do Supremo André Mendonça no mês passado. A decisão de Mendonça torna inócuo o pedido de anulação da deliberação da CPI, encaminhado pelo PT ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre.

Lulinha frequenta o escândalo das aposentadorias como suspeito de receber uma mesada de R$ 300 mil para azeitar os negócios do operador do esquema, Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. Farejando o cheiro de queimado, Lula vem abordando o tema desde dezembro do ano passado. Ele se abstém de levar a mão ao fogo pelo filho. Na declaração mais enfática, disse em 5 de fevereiro que conversou com Lulinha.

“Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’.” A favor de Lula pesa o fato de que a PF age com autonomia. Contra o presidente, pesam as evidências, de que a corrupção entrou definitivamente na agenda eleitoral de 2026.

Nesse contexto, perde relevância o discurso de Lula segundo o qual seu governo realiza uma caça aos “magnatas da corrupção” no escândalo do Master e no cerco ao crime organizado iniciado com a operação Carbono Oculto. Atenuam-se também os efeitos da alegação de que o roubo bilionário das aposentadorias, iniciado sob Bolsonaro, só veio à luz graças às investigações iniciadas sob Lula.

Numa ótica estritamente política, prevalece a percepção, confirmada pelas pesquisas, de que o eleitorado tende a atribuir maior responsabilidade pelos escândalos ao governante de plantão. Num instante em que Flávio Bolsonaro se solidifica como principal opção da direita, a memória do antipetismo que impulsionou a vitória do preso da Papudinha na sucessão de 2018 ressurge no Planalto como alma penada. A quebra dos sigilos de Lulinha espetou um espinho no pé de Lula.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2026/02/…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 26/02/2026 às 16:40

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