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STF ensaia caça às bruxas contra a PF em caso que desagradou a Toffoli

STF ensaia caça às bruxas contra a PF em caso que desagradou a Toffoli
STF ensaia caça às bruxas contra a PF em caso que desagradou a Toffoli
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Opinião

STF ensaia caça às bruxas contra a PF em caso que desagradou a Toffoli

O Supremo Tribunal Federal (STF), diante dos escândalos envolvendo os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, foi à prateleira e anabolizou a musculatura na caça às bruxas.

Isso aconteceu logo depois do acochambro da sessão secreta designada pelo desnorteado presidente Edson Fachin.

A sessão secreta resultou na mudança da relatoria do caso Master: Dias Toffoli abdicou da relatoria do caso do Banco Master, ligado a Daniel Vorcaro. Talvez, sensibilizado pelo comentário de um taxista, em viagem da ministra Cármen Lúcia: o STF estaria malfalado.

Dessa sessão secreta, que vazou, Toffoli saiu elogiado por oito dos dez ministros da Corte. Para usar uma expressão dos jornalistas vaticanistas, saiu com odor de santo.

Mas, pelo jeito, não bastou o apoio a Toffoli.

Agora ensaia-se no STF um movimento para punir a ousadia da Polícia Federal de ter apurado fraudes bilionárias do Banco Master, como lhe cabia. E, também, para não prevaricar e cumprir o preceito republicano de todos serem iguais perante a lei.

Inconformados, ministros estariam cogitando uma investigação por abuso de poder por parte de delegados e agentes da PF quando em função de polícia judiciária: atuação em inquérito policial mantido sob sigilo pelos antigo e atual ministros-relatores.

A uma indagação feita pelo site Poder360, referente à apuração envolvendo membros da PF, não houve resposta. Pela apuração jornalística, “ministros do STF esperam uma posição da PGR para decidir se analisarão possível irregularidade por relatório elaborado sobre Dias Toffoli, sem autorização prévia”.

Não há abuso de poder. O que existiu foi, na investigação ampla e sem foco em órgãos do Judiciário, a revelação surpreendente de fortes indícios de conduta criminosa do ministro Toffoli.

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É comum numa investigação detalhada e de inúmeras fraudes, ocorrerem surpresas. Na rede, veio o graúdo Toffoli.

Como devia, o STF foi comunicado em relatório, no qual se falou até em um delírio jurídico, ou seja, de a PF ter arguido a suspeição de Toffoli: não arguiu, apenas relatou fatos que surgiram com a apuração do caso Master. Algo involuntário, não buscado.

Atenção! Está parecendo que alguns ministros supremos, pelo jeito, queriam que a Polícia Federal pegasse a venda da deusa da Justiça, a Têmis, e colocasse nos seus agentes para não enxergarem nada contra Toffoli.

E Gonet?

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo que se percebe, está sendo sondado para, por ter legitimação, instaurar inquérito para apuração dos que ousaram desnudar o escândalo Toffoli.

Gonet deveria pedir ao STF para investigar Toffoli. Não para investigar quem descobriu indícios de maracutaia. A lógica jurídica está invertida.

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Caso Gonet resista, o inquérito de prateleira — o prêt-à-porter (pronto para vestir) inquérito das fake news — servirá para, no modelo inconstitucional do juiz de instrução, ser usado.

Enquanto a vingança de Toffoli está em cogitação, a vingança de Moraes está em curso, ou seja, atua-se para descobrir os responsáveis por vazamento criminoso de dados da mulher do ministro, que celebrou contrato milionário com o Master.

Nesse contexto, a sociedade começa a enxergar o STF como o vingativo Monstro Cavernoso dos tempos da Inquisição. Os hereges atuais são os que desagradam a alguns ministros.

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📰 Fonte: UOL Notícias

🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/colunas/walter-maierovitch/2026/…

Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 25/02/2026 às 13:01

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