Estados ‘mudam de lado’, e oposicionistas do MDB sepultam ter vice de Lula

Estados ‘mudam de lado’, e oposicionistas do MDB sepultam ter vice de Lula

Resumo
Com pressão da maioria dos diretórios estaduais contra o apoio à reeleição do presidente Lula (PT), o MDB não deverá fechar aliança com nenhuma chapa para as eleições de outubro e sepulta qualquer plano para entrar como vice de Lula.
O que aconteceu
O partido, que tem três ministérios no governo, vinha sendo especulado para integrar a chapa. No Planalto, diz-se que o presidente garantiu que Geraldo Alckmin (PSB) só deixa o cargo se quiser, mas, como o UOL mostrou, houve uma pressão para que ele encampasse a eleição de São Paulo, caso um grande partido de centro —MDB em especial— aceitasse um acordo.
Historicamente dividido, o destino foi selado nesta semana, dizem lideranças emedebistas. Um grupo com 16 diretórios entregou um documento ao presidente da sigla, deputado Baleia Rossi (SP), na terça (3), que defendia “independência no processo eleitoral” para “focar as ações nos processos regionais e nas composições para as Casas Legislativas”.
O movimento é liderado pelos diretórios do Centro-Oeste, Sudeste e Sul. “O Brasil é muito grande, cada estado tem as suas particularidades”, argumenta o deputado federal Carlos Chiodini, presidente do MDB-SC e vice-presidente nacional. “Queremos autonomia para lutar pelas pessoas com respeito às diferenças.”
Apesar de não ter sido oficializada, a neutralidade já é dada como certa pelos emedebistas. Segundo partidários, o grupo representa mais de 70% dos filiados. Dos cinco maiores colégios eleitorais, só o diretório da Bahia, onde o partido integra a base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), não assinou.
A divisão já era esperada tanto no partido quanto no Planalto, mas não deixa de ter um sabor amargo para o governo. Apesar de nunca ter revelado as cartas explicitamente, havia articuladores petistas que trabalhavam para que nomes fortes do MDB fossem alçados ao cargo. Na mesa, a ministra Simone Tebet (Orçamento), o ministro Renan Filho (Transportes) e o governador do Pará, Helder Barbalho, estavam entre os cotados.
Há, inclusive, diretórios que mudaram de lado em relação a 2022. Na última eleição, os MDBs do Espírito Santo e do Rio de Janeiro integraram o grupo de 11 estados que declararam apoio a Lula já no primeiro turno, quando o partido lançou Tebet à Presidência. No segundo turno, a sigla declarou neutralidade, e a candidata, apoio ao petista.
No Rio de Janeiro, inclusive, o MDB estará com o prefeito Eduardo Paes (PSD), candidato de Lula ao governo, mas não com o PT. O presidente estadual, Washington Reis, ligado à Assembleia de Deus, indicou a irmã, advogada Jane Reis, para vice na candidatura. Ele assinou o manifesto e nacionalmente deverá subir no palanque do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Parte dos diretórios do Nordeste e do Norte deverão seguir com o governo. Em Alagoas, Lula estará do lado de Renan, que tentará voltar ao governo, e do pai, senador Renan Calheiros, que tenta reeleição; no Pará, igualmente junto aos Barbalho; e, no Ceará, o PT já anunciou apoio ao retorno de Eunício Oliveira ao Senado.
Em outros estados o apoio ainda está sendo sedimentado, mas deverá ocorrer, dizem petistas. Na Paraíba, costura-se para que Lula esteja na campanha do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao governo, com a dobradinha do senador Veneziano do Rêgo (MDB) e do governador João Azevêdo (PSB) ao Senado.
O PT tinha esperança de uma aliança em Minas Gerais. Lula tem tentado convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a concorrer ao governo, mas petistas não descartavam apoio à candidatura do ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo como plano B. Ficou pelo caminho: o deputado federal Newton Cardoso, presidente do MDB-MG, assinou o tratado.
O Planalto espera movimento semelhante do PSD, outro gigante do centrão, que também tem três cadeiras na Esplanada. Diretórios regionais do partido, como Amazonas, Bahia e Pernambuco, deverão apoiar Lula independentemente se a sigla lançar ou não nacionalmente um de seus três presidenciáveis, os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr. (PR) e Ronaldo Caiado (GO) —todos de oposição.
Veja também
As mais lidas agora
📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/0…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 05/03/2026 às 06:08















Deixe seu comentário
O autor da mensagem, e não o UOL, é o responsável pelo comentário. Leia as Regras de Uso do UOL.