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DeltaFolha


Pokémon foi de 151 a 1.025 monstros em 30 anos; entenda em gráficos

  • Monstros mais populares ainda são os lançados em 1996
  • Regiões do mundo real servem como inspiração para nascimento de novas gerações
Colagem densa com centenas de Pokémon, em cores vibrantes, distribuídos uniformemente sobre fundo claro.

Colagem de divulgação do aniversário de 30 anos de Pokémon, mostrando centenas de monstrinhos –

Reprodução /

Pokémon no X


São Paulo

Com três décadas de existência celebradas nesta sexta (27), Pokémon alcançou a marca de 1.025 espécies, um aumento de 579% desde 27 de fevereiro de 1996, quando a franquia japonesa apresentou ao mundo a primeira leva de 151 monstrinhos, sendo um deles o Pikachu, o ratinho elétrico amarelo que virou um símbolo da cultura pop.

A renovação de monstros é um dos alicerces da longevidade da marca. A cada três ou quatro anos, a empresa lança uma nova geração de criaturas , garantindo novidade a velhos e novos jogadores, e também a consumidores do anime (transmitido na TV aberta desde os anos 90), das cartas, dos filmes e de uma extensa série de produtos.

Os saltos na lista de monstros, chamada de Pokédex, coincidem com os principais lançamentos da marca.

Pokémon é a abreviação de “pocket monsters”, monstrinhos de bolso, em português, e explica parte do enredo do jogo: capturá-los e colecioná-los. Ainda é preciso treiná-los para que evoluam e, tal qual uma rinha de galos, colocá-los para rivalizar com outros monstrinhos.

Satoshi Tajiri, o fundador da companhia, gostava de coletar insetos nos arredores de Tóquio quando era criança, de onde nasceu a inspiração do jogo, que se tornou a franquia de mídia de maior arrecadação da história.

A Folha reuniu dados da PokéAPI, uma API pública com dados sobre o universo de Pokémon, e da Bulbapedia, uma enciclopédica colaborativa de fãs, para explicar o que atrai crianças e adultos a esse fenômeno tão longevo.

Aos não versados no jogo, algumas informações são cruciais para entendê-lo: as gerações de monstros podem nascer em diferentes locais do mundo (todos fictícios) e cada criatura vem com um elemento específico (chamado de tipo), como água, fogo, gelo, aço, pedra, veneno e por aí vai.

As quatro primeiras gerações de monstros eram baseadas em cenários inspirados no Japão. Em “Pokémon Black & White” (2010), houve a primeira mudança. A série foi transportada para um território aludido à região de Nova York.

A partir disso, os personagens passaram a ser globais. Há um poodle, o Furfou, numa região inspirada na França, um pássaro dançarino de hula, o Oricorio, no Havaí, e uma azeitona, a Smoliv, na versão fictícia da península ibérica.

Ao escolher lugares fora do Japão, o jogo também dialogou com temas locais. Em “Pokémon Sun & Moon”, de 2016, inspirado no Havaí, espécies invasoras desequilibram os ecossistemas, como ocorreu de fato no arquipélago.

Em “Pokémon Sword & Shield”, de 2019, o monstrinho Corsola, antes um coral alegre e rosado, aparece pálido e fantasmagórica, uma alusão ao branqueamento de corais causado pelas mudanças climáticas.

Três Pokémon — Chikorita, Tepig e Totodile — estão no centro de uma rua de cidade com prédios altos dos dois lados. Ao fundo, uma torre moderna se destaca sob céu azul com poucas nuvens.
Pokémon iniciais em ‘Pokémon Legends Z-A’: Chikorita (tipo grama), Tepig (fogo) e Totodile (água).

Reprodução/Nintendo

Cada Pokémon tem um ou dois tipos. Logo de início, o jogador é introduzido a essa lógica, quando precisa escolher a natureza de seu primeiro monstrinho.

O levantamento mostra que a água é o tipo mais comum. Está presente em quase todos os bichos habitantes de rios, lagos e oceanos. O segundo é o “tipo normal”, associado a criaturas que lembram animais reais, sem poderes excepcionais.

Algumas lógicas da briga de elementos são intuitivas: a grama resiste à água, mas é fraca contra o fogo. Outras são menos: por algum motivo, os Pokémon psíquicos são fracos contra insetos –uma das interpretações remete à fobia que humanos sentem deles.

Os primeiros jogos traziam 15 tipos: quase 22% dos monstrinhos daquela geração eram venenosos, por exemplo, e apenas 2% eram fantasma. Essa assimetria foi diminuindo ao longo dos anos, como é possível ver no gráfico abaixo.

Outra parte fundamental das batalhas são os chamados atributos dos Pokémon: pontos de saúde, ataque, defesa, ataque especial, defesa especial e velocidade. Cada espécie nasce com valores baseados nessas categorias, que podem ser potencializados com treino e estratégia de seus donos.

Quando alguém perguntar “qual monstrinho é mais forte?”, a resposta pode ser encontrada na composição de atributos de cada um.

O tipo pedra, por exemplo, concentra médias altas em ataque e defesa físicos, mas valores modestos de velocidade. Já o tipo psíquico se sai melhor em ataque e defesa especiais, atributos ligados a golpes não físicos, como rajadas de energia e poderes mentais.

Desde o lançamento, a franquia mexeu poucas vezes nessa engrenagem central, e quando o fez, foi para corrigir distorções.

Mesmo assim, não ficou longe de críticas dos fãs. Em “Pokémon X & Y”, surgiu o tipo fada, imune a ataques do tipo dragão, que na época dominava o cenário competitivo. Isso alterou o eixo estratégico do jogo. Parte da comunidade questionava como criaturas fofas, cor-de-rosa, poderiam superar bestas mitológicas ligadas à força bruta.

Faz parte do jogo. O Pokémon tem licença para o absurdo. Seres mitológicos como Dialga e Palkia, que representam o tempo e o espaço, coexistem com Vanilluxe, um sorvete sorridente, Trubbish, saco de lixo que se comporta como gato, e Klefki, um molho de chaves flutuante.

Dessa mistura nasceu um dos lemas não oficiais da comunidade e que virou base para a campanha oficial de aniversário: “todo Pokémon é o favorito de alguém”.

Apesar de ícones como Pikachu, Eevee e Charizard serem muito mais populares, qualquer criatura estranha tem garantido seu nicho de aficcionados:

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