Unesco vê baixa implementação da educação midiática nos currículos mundo afora


Unesco vê baixa implementação da educação midiática nos currículos mundo afora
- Estudo revela que só 9% dos países-membros da agência têm política específica para a área
- Brasil dispõe de diretrizes que reforçam a importância do tema, mas efetivação é tímida
A urgência da educação midiática no cenário global ganhou um novo marco com o anúncio da matriz do Pisa 2029, que passará a avaliar de forma integrada letramento midiático e a inteligência artificial. Essa movimentação da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) reforça a necessidade de políticas educacionais sólidas, mas esbarra em uma realidade ainda fragmentada: um estudo recente da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) revela que, embora a maioria de seus 194 membros reconheça a importância do tema, apenas 9% têm uma política específica para a área e 22% não a integram, de nenhuma forma, ao currículo escolar.
O estudo demonstra também que a maior parte dos países ainda se limita ao desenvolvimento de competências digitais, sem priorizar o desenvolvimento de saberes e habilidades críticas relacionadas às mídias e à informação, algo aquém da proposta da educação midiática, que consiste em problematizar os usos e apropriações das mídias na cultura digital, contemplando o debate acerca do acesso, produção e disseminação de mensagens de mídia.
“Globalmente, 84 dos 194 países (43%) integraram elementos de MIL (Alfabetização Midiática e Informacional) —conforme descrito pela Unesco— nos currículos da educação nacional formal. Outros 56 países (29%) também integraram alguns elementos de MIL nos currículos nacionais, porém limitam essa integração à abordagem apenas da alfabetização digital”, afirma o relatório intitulado Media and Information Literacy for all: closing the gaps (“Alfabetização Midiática e Informacional para todos: fechando as lacunas”, em tradução livre).
A principal conclusão desse levantamento é que o reconhecimento da importância da alfabetização midiática e informacional não se traduz em projetos concretos de implementação do tema nas políticas e sistemas de educação. Este é, em parte, o caso do Brasil, que integra indiretamente a educação midiática na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), de 2017, diretriz que indica os direitos de aprendizagem da educação básica, sendo a principal referência para a formulação dos currículos das redes de ensino.
Seu complemento de Computação, de 2022, aprofunda habilidades digitais, algumas das quais contemplam a educação midiática, embora ainda seja necessário um aprofundamento para promover a reflexão acerca das mídias como um sistema complexo de representação, suas linguagens, meios de produção e formas de recepção das mensagens.
O país carece, portanto, de um currículo específico de educação digital e midiática, embora já existam diretrizes para o seu desenvolvimento, formuladas no ano passado pelo MEC (Ministério da Educação), em resposta à determinação da obrigatoriedade da escolarização do tema, por meio de resolução publicada em 21 de março de 2025.
No entanto, até o momento nem mesmo a BNCC da Computação foi plenamente implementada no Brasil. A última pesquisa TIC Educação demonstra isso, com 59% dos coordenadores pedagógicos participantes do levantamento dizendo que suas escolas ainda não contemplam esse currículo.
Nesse cenário, é urgente desfazer a confusão entre o currículo de computação e a educação midiática. Embora tenham intersecções, as coisas não se equivalem. Sem essa clareza conceitual e uma política de implementação que organize a sobreposição de normas atuais, o Brasil continuará distante de fechar as lacunas que ainda dificultam uma prática pedagógica segura no desenvolvimento de saberes críticos relacionados às mídias na cultura digital.
sua assinatura pode valer ainda mais
Você já conhece as vantagens de ser assinante da Folha?
Além de ter acesso a reportagens e colunas, você conta com newsletters exclusivas (conheça aqui).
Também pode baixar nosso aplicativo gratuito na Apple Store ou na Google Play para receber alertas das principais notícias do dia.
A sua assinatura nos ajuda a fazer um jornalismo independente e de qualidade. Obrigado!
sua assinatura vale muito
Mais de 180 reportagens e análises publicadas a cada dia. Um time com mais de 200 colunistas e blogueiros. Um jornalismo profissional que fiscaliza o poder público, veicula notícias proveitosas e inspiradoras, faz contraponto à intolerância das redes sociais e traça uma linha clara entre verdade e mentira. Quanto custa ajudar a produzir esse conteúdo?
📰 Fonte: UOL Notícias
🔗 Link original: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2026/02/unesco-ve-bai…
Publicado automaticamente pelo Sistema Itaquera News em 26/02/2026 às 10:17
Comentários
Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.